quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Rotina de um fissurado
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Programa de Fortaleza
domingo, 30 de agosto de 2009
Vídeo do Programa do Rio e partida para Fortaleza
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Operação Sorriso no programa Mais Você - Ana Maria Braga

terça-feira, 25 de agosto de 2009
Histórias 03: Ônibus da sorte
Na manhã do dia 13, ao chegar ao Hospital do Fundão, Dona Maria foi encaminhada para o 12o andar, o centro cirúrgico, para que os voluntários da Operação Sorriso pudessem orienta-la sobre os caminhos que poderia tomar no futuro, para tentar conseguir a cirurgia para sua filha. Pelo menos era o que ela pensava. Então imaginem o susto desta mãe de Niterói, angustiada havia 5 meses pela luta diária na tentativa de mudar a vida de sua filha, quando depois de 5 minutos de conversa com um voluntário da Operação Sorriso e uma avaliação no mesmo momento feita por um cirurgião plástico, um pediatra e um anestesista, ela foi informada de que sua filha receberia a cirurgia reparadora:
- “Ah, é? Esse mês ainda?” – indagou Dona Maria das Dores.
- “Não”, respondi, “daqui a 35 minutos. É só o tempo de abrirmos o prontuário dela e fazermos os exames”
O olhar que recebi, assim como as lágrimas de Dona Maria ficarão para sempre guardados como uma memória deste programa!
Voluntária Luana Garcia e Maria das Dores Antonio, mãe da paciente Ana Clara
Mas Dona Maria não seria a única história comovente destes dias corridos, muito pelo contrario. Naquele mesmo dia, naquele mesmo instante em que eu conversava com ela, Douglas Daniel do Nascimento, um rapaz saudável de 13 anos, morador da Vila Kennedy, estava recebendo sua cirurgia de palato. A voz extremamente anasalada, resultante de seu palato aberto, havia feito com que Douglas abandonasse a escola anos antes e por isso ele não sabia ler ou escrever. As constantes brigas com colegas de classe fizeram com que sua mãe, Márcia Lima Macedo, não estranhasse a decisão. Mas Dona Márcia não estava do lado de fora do centro cirúrgico naquele instante, esperando o fim da cirurgia e tentando vencer a ansiedade de não saber o que estava acontecendo com seu filho, como as outras mães e pais. Não, Dona Márcia estava na enfermaria, cuidando de seu outro filho, Victor Hugo, de 6 anos, que havia saído da mesma cirurgia momentos antes e se recuperava dormindo. Aquela sensação de ansiedade Dona Márcia já conhecia bem.

Dona Márcia Lima Macedo e dois de seus filhos, recém operados
Na 2a feira, primeiro dia das cirurgias do programa, eu havia a visto aos prantos de emoção quando sua filha, Michelle, a primeira dos seus três filhos que foram operados naquela semana, saiu da cirurgia. Mãe de 6 filhos, 3 deles fissurados, Dona Márcia passou, em suas palavras, a maior parte dos últimos 13 anos dentro de casa, com seus filhos. Em apenas uma semana, sua vida havia mudado por completo, assim como a dos seus três filhos mais novos. Até o mês anterior e apesar de morar dentro da cidade, Dona Márcia, incrivelmente, não sabia que existia uma possibilidade de cura para seus filhos, mas um intervalo de novela na Globo na semana anterior, onde o comercial da Operação Sorriso foi passado, faria mudar para sempre o futuro de sua família. O primeiro objetivo apos retornarem para casa? “mandar eles pro colégio, depois sair mais de casa, aproveitar a vida, né?”.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Histórias 02: Ficar bonito após 59 anos
Agora, com seus 5 filhos criados, Seu João e sua mulher, casados há 40 anos, haviam decidido que já era hora dele aproveitar mais a vida e o primeiro passo, segundo ele, era: “resolver esse problema que me acompanha há 59 anos e ficar bonito”. Perguntei ao simpático Seu João o que ele achava que aconteceria agora que ele havia sido operado? “ah, meu filho, sem dúvida que minha mulher vai se apaixonar de novo por mim e vamos aproveitar!”.

João Ferreira da Silva antes e imediatamente depois da cirurgia
Se apaixonar é algo que Cristiane da Cruz, de 36 anos, quer muito fazer, especialmente por si própria. Operada de uma fissura labial no mesmo dia que o Seu João, Cristiane pediu um espelho para se olhar assim que chegou à sala de recuperação, ainda dentro do centro cirúrgico. Ao se olhar, suas únicas palavras foram: “agora sim posso me olhar no espelho”. Cristiane teve que esperar 36 anos por esse momento!
Tão forte é a vontade de mudar dos pacientes fissurados, que o Leonardo, um simpático e falante jovem de 20 anos, morador de Mesquita, no Rio de Janeiro, ao ser informado pelo cirurgião que o operaria que, talvez, dado sua fissura labial, fosse necessário retirar um pequeno pedaço de sua orelha para reparar o tecido, ele respondeu: “Doutor, se for pro Senhor me deixar com o nariz e a boca novos, o senhor pode tirar minha orelha inteira se quiser!”.
sábado, 22 de agosto de 2009
Histórias 01: Deixando uma vida de exclusão em 19 minutos

Camila Vitória Alves, de 4 meses, após receber a cirurgia
Contarei algumas das histórias que cruzaram meu caminho nos últimos 10 dias. Assim como eu, outros dos mais de 100 voluntários envolvidos no programa cirúrgico do Rio 2009 devem ter histórias que ouviram, os emocionaram e que levarão para toda vida como prova do que é possível realizar quando as pessoas se juntam para fazer o bem.
Os resultados podem ser contemplados nos olhos de pais como Verônica, mãe da Camila Vitória Alves, um bebê de apenas 4 meses, que virou o xodó de toda equipe, em parte pela simpatia de ir no colo de todos sem reclamar e, em parte, pois uma das pediatras da missão insistiu que a pequena, e bela, Camila era uma cópia fidedigna dela mesma quando bebê.
Na noite do dia em que sua filha havia recebido a cirurgia reparadora, encontrei sua mãe debruçada sobre o berço na enfermaria, sussurrando para ela mesma: “ela está linda. Ela ficou perfeita, perfeita, não acredito”. Começamos a conversar sobre sua filha e sobre seu sofrimento quando descobriu que teria uma filha fissurada e não sabia como seria possível tratá-la ou se até era possível.
Depois que ela terminou de me contar seu sofrimento, disse apenas: “pois é, e veja só o que foi possível mudar para o futuro da sua filha com uma cirurgia de apenas 19 minutos. Sim, eu vi a cirurgia dela e durou 19 minutos do primeiro corte ao último ponto, acredita?”.
Ela olhou nos meus olhos, sorriu e começou a chorar e a dizer obrigado. Mas obrigado quem deveria dizer somos nós, os voluntários, por termos a experiência de passar por momentos como esse e por termos ajudado, por menor que seja a ajuda, a 114 famílias terem momentos como esses na semana passada.

